Esperança em Ação: Defensoria Solidária Alivia Filas e Esperas em Boa Vista

Situada no bairro Pintolândia, na zona Oeste de Boa Vista, a 6ª edição da Defensoria Solidária, organizada pela Defensoria Pública do Estado de Roraima, trouxe novas oportunidades para aqueles que enfrentam longas esperas e dificuldades no acesso à saúde. Neste sábado (23), a Escola Estadual Severino Cavalcante foi transformada em um espaço de acolhimento, orientação e esperança para a comunidade.

Durante o evento, diversas histórias se destacaram, como a de Ataís de Almeida, uma mãe de 27 anos que chegou ao local com preocupações que vão além da papelada. Ela carregava consigo a ansiedade pelo futuro das suas duas filhas.

Mariana Auría, sua caçula de dois anos, apresenta atrasos na fala — um sinal preocupante. Maria Aurora, por sua vez, a filha mais velha de cinco anos, já tem diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e vem enfrentando há dois anos uma dura realidade: a fila interminável por terapias que não chegam.

“Quando percebemos sinais semelhantes, o medo só aumenta. Não quis esperar mais. Vim buscar ajuda imediatamente”, afirmou Ataís, mostrando determinação em sua luta. “Aqui eu recebi atendimento e orientação. Isso já é um bom começo.”

Histórias como a dela foram comuns nos corredores da escola durante o dia. Muitas pessoas se deparam com obstáculos no sistema de saúde e precisam decidir entre continuar lutando ou desistir.

A cozinheira Rosimeire Silva Aciole, com 54 anos, nunca pensou em desistir — mesmo diante dos problemas de visão que a afligem. Aguardando uma cirurgia de catarata, ela enfrenta dificuldades até para agendar o procedimento.

“Tudo agora é feito por telefone. Com a visão comprometida, fica ainda mais complicado. Hoje vejo tudo embaçado”, relatou ela. Ao receber atendimento oftalmológico na ação solidária, Rosimeire recuperou não apenas a esperança, mas também a sensação de ser notada. “Isso deveria acontecer com mais frequência.”

Lucilene da Silva, aos 46 anos e lidando há muito tempo com pedras nos rins, também reconhece o valor dessas iniciativas. Para ela, a Defensoria Solidária representa uma solução prática em meio à burocracia existente.

“Participei de outras edições e sempre obtive um bom atendimento. Aqui conseguimos resolver várias questões em um único lugar”, destacou Lucilene.

A ação não se limitou apenas aos exames e consultas médicas; ela também ofereceu algo fundamental e muitas vezes invisível: orientação jurídica. Para aqueles que enfrentam atrasos ou negativas no acesso a exames, cirurgias ou medicamentos, a Defensoria atua como um elo entre os direitos e as realidades vividas pelas pessoas.

A assessora jurídica Carla Renata Milhomem, especialista em Saúde Pública, ressaltou que o objetivo do atendimento é assegurar que o direito à saúde estabelecido na Constituição seja efetivo.

“Quando existem dificuldades no acesso à saúde, a Defensoria pode atuar tanto administrativamente quanto judicialmente. Nossa função é garantir que esse direito seja realmente cumprido”, explicou.

A magnitude do evento é notável: mais de 30 parceiros participaram da ação, incluindo órgãos municipais e estaduais. A Secretaria Municipal de Saúde enfatizou a relevância dessa aproximação com os cidadãos que não conseguem acessar serviços durante os dias úteis.

<p“Levamos os serviços até aqueles que mais necessitam. Isso faz toda a diferença”, comentou Gilmara Alves de Souza, coordenadora da iniciativa.

Números impressionantes evidenciam o impacto gerado: apenas pela Secretaria Estadual de Saúde foram realizadas mais de 480 consultas com especialistas durante o evento. Para Genival Ferreira, diretor da secretaria, os resultados vão além do atendimento imediato.

<p“Conseguimos encaminhar exames e consultas para quem realmente precisa e ajudamos a aliviar a pressão sobre as unidades de saúde,” concluiu ele.

No entanto, por trás das estatísticas estão histórias como a de Ataís que revelam o verdadeiro significado dessa iniciativa. Em meio à rotina desgastante da espera por atendimento médico adequado, a Defensoria Solidária se torna um verdadeiro ponto de virada.

Entre filas organizadas e atendimentos simultâneos se constrói algo essencial: uma sensação coletiva de apoio onde ninguém está sozinho.

By Porto Velho ja

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