Anderson usa o wrestling como ferramenta para inspirar a superação da filha

A história entre Anderson Braga e Laura Dominique Laurido Silvestre começou em um ambiente familiar, mas se expandiu para o mundo do wrestling. Aos 15 anos, Laura já é uma atleta experiente, participando de competições em nível nacional. Para Anderson, que ocupa o cargo de presidente da Federação de Wrestling de Roraima e atua como treinador, acompanhar o progresso da filha é uma jornada que combina paternidade, aprendizado e a paixão pelo esporte.

Laura é filha de Sarah Rachel Laurido de Almeida, esposa de Anderson. Quando ele começou a conviver com a família, Laura tinha apenas quatro ou cinco anos. Com o tempo, a relação se estreitou e os filhos passaram a chamá-lo de pai. Durante a pandemia, Laura foi diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), além de enfrentar desafios como dislexia, discalculia e dificuldades motoras.

Foi nesse contexto que o esporte passou a ter um novo significado para a família.

O início no wrestling

Anderson já tinha experiência em luta livre esportiva, embora estivesse afastado dos treinos até então. A ideia de retomar as atividades surgiu quando decidiu trabalhar com Laura no esporte.

No entanto, os primeiros passos não foram simples. Anderson recorda que sua filha tinha dificuldades até mesmo com movimentos básicos e caiu várias vezes durante os treinos iniciais.

“Ela caiu umas dez vezes só no aquecimento porque não conseguia coordenar as pernas corretamente”, afirmou.

Apesar das dificuldades iniciais, a família perseverou. Gradualmente, Laura começou a observar as aulas e demonstrou interesse em participar ativamente.

“Ela começou a me ver treinando outras crianças e se interessou. Depois disso, não quis mais parar”, explicou Anderson.

O que iniciou como uma estratégia para promover desenvolvimento pessoal acabou resultando em uma transformação na carreira profissional de Anderson.

Do treinamento para as competições

A primeira vez que Laura competiu foi no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, aos 12 anos recém-completos. Embora tenha perdido essa estreia, a experiência foi fundamental para sua familiarização com o ambiente competitivo.

No ano seguinte, ela conquistou o campeonato estadual e garantiu sua participação em um torneio nacional. Sua primeira vitória em um campeonato brasileiro foi outro marco significativo na trajetória dela.

Para Anderson, os resultados esportivos não devem ser avaliados apenas pelas medalhas ou resultados das competições.

“Cada conquista dela representa uma vitória nossa também. Estamos juntos em todo o processo, desde os treinos até as competições”, destacou.

Entretanto, nem tudo foi fácil na jornada. Em uma competição nacional após uma vitória inicial, Laura enfrentou um momento difícil e teve dificuldade em continuar no torneio devido à desregulação emocional.

“Eu preferi protegê-la. Conversei com o médico e achei melhor não deixá-la lutar novamente”, contou Anderson.

Essa decisão reflete como ele vê seu papel como pai e treinador.

“Antes de ser atleta, ela é minha filha. Por isso, eu preciso priorizar seu bem-estar e saúde”, afirmou.

Amizades construídas através do esporte

Enquanto as conquistas dentro do tatame ocorriam gradualmente, fora dele também houve mudanças significativas proporcionadas pelo wrestling.

Antes de entrar nas competições, Laura enfrentava dificuldades em socializar e não tinha amigos próximos. Participar das competições abriu portas para experiências que vão além do esporte.

“Ela me disse que não tinha amigos e que ninguém gostava dela”, lembrou Anderson.

A primeira viagem para competir foi crucial para Laura fazer novos amigos ao interagir com outras crianças durante os deslocamentos e momentos compartilhados.

“Foi a primeira vez que ela teve essa interação com outras crianças viajando juntas e conversando. Foi ali que surgiram suas primeiras amizades”, comentou.

Para Anderson, esse aspecto social é uma das grandes riquezas do esporte.

“O esporte é como uma segunda família para mim. Muitas amizades que tenho hoje surgiram por meio dele; por isso queria proporcionar essa experiência à minha filha também”, explicou.

Nova forma de treinar

A convivência diária com Laura levou Anderson a repensar suas abordagens como treinador. Ele percebeu que algumas metodologias aplicadas a outros atletas não eram eficazes com sua filha. “Tive que aprender novas maneiras de me comunicar com ela; nem sempre o que funcionava com outras crianças dava certo”, disse ele.

Uma das estratégias adotadas incluiu músicas, brincadeiras e referências familiares para facilitar sua compreensão sobre os movimentos necessários no wrestling.

“Comecei a usar música e criar brincadeiras ou paródias; quando ela consegue associar isso ao que conhece, fica mais fácil aprender”, compartilhou Anderson.

Essa nova abordagem também impactou positivamente seu trabalho com outros atletas da equipe.
“Aprendi muito com ela sobre como cada criança tem seu próprio jeito de aprender; como treinador, preciso ajustar minhas táticas para atingir cada um deles,” concluiu.

Família entrou no tatame

O projeto familiar acabou envolvendo outros membros da família. Sarah passou a participar ativamente do wrestling ao realizar cursos de arbitragem e treinamento enquanto apoiava sua filha nas competições.

Além disso, a família se envolveu na organização do wrestling em Roraima; esse esforço levou à criação da Federação Estadual da modalidade, ampliando suas oportunidades dentro do estado.
“Quando começamos essa iniciativa era para ajudar somente a Laura; depois percebemos que havia outras crianças precisando dessa mesma chance,” explicou Anderson.

Gradualmente o projeto passou a atender mais atletas e buscar espaço para o wrestling roraimense nas competições nacionais e internacionais.
Apesar dos sucessos conquistados por Laura nas lutas, Anderson evita limitar sua trajetória às vitórias nos pódios.
“Fico imensamente feliz quando ela vence; porém o mais importante é observar seu progresso e ver realizações que antes pareciam inatingíveis,” enfatizou ele.

Para ele, engajar-se no esporte é também prepará-la para enfrentar desafios da vida.
“Quero que ela se torne independente; desejo que ganhe confiança para realizar atividades sozinha e viva bem em sociedade sabendo que pode superar obstáculos,” salientou Anderson.
Ele também faz questão de respeitar os limites da filha sem impor seus próprios desejos.
“Meu objetivo não é forçá-la a fazer algo; quero permitir que descubra suas paixões e entenda até onde pode chegar,” concluiu ele.

Projeto de família

A jornada entre Anderson e Laura iniciou-se no aconchego do lar mas logo se transformou num projeto maior envolvendo outros atletas e contribuindo significativamente para o desenvolvimento do wrestling em Roraima.
Para o presidente da federação estadual, acompanhar cada passo da evolução da filha continua sendo sua maior realização.
“Cada vez que ela supera um desafio fico extremamente orgulhoso; não se trata apenas da vitória numa luta mas sim do conhecimento das dificuldades superadas até aqui,” compartilhou ele.

A rotina entre treinos frequentes , viagens constantes e competições segue unindo dois papéis essenciais na vida dele: ser pai enquanto exerce suas funções como treinador.
“Ser pai significa estar presente , apoiar incondicionalmente acreditar nela todos os dias ; isso é o que busco fazer sempre,” finalizou

By Porto Velho ja

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