Edson José Bandeira Braga Filho analisa o preço invisível da indecisão na vida e nos negócios

Para Edson Braga, adiar decisões importantes pode gerar custos que não aparecem nos balanços, mas afetam empresas, relacionamentos, oportunidades e o uso do tempo

Algumas das decisões mais caras de uma trajetória não são, necessariamente, aquelas tomadas de forma equivocada. Em muitos casos, o maior custo surge justamente quando uma escolha necessária é adiada por tempo demais.

Essa é a reflexão apresentada por Edson José Bandeira Braga Filho, também conhecido como Edson Braga, ao analisar como a indecisão pode afetar empresas, relacionamentos, oportunidades e projetos pessoais.

Quando se fala em erro, normalmente a atenção se volta para aquilo que foi feito e não deveria ter sido feito: um investimento malsucedido, uma contratação inadequada, uma sociedade mal escolhida, uma aquisição problemática ou uma estratégia que não produziu os resultados esperados.

Para Edson, porém, existe outra categoria de erro menos discutida.

É aquilo que uma pessoa já percebeu que precisa mudar, mas continua adiando.

A conversa que precisa acontecer.

A pessoa que já não ocupa a função adequada.

O projeto que perdeu sentido.

A sociedade que precisa ser revista.

A empresa que precisa mudar de direção.

O pedido de desculpas que deveria ter sido feito.

Ou o “não” que continua sendo transformado em “talvez”.

Segundo Edson Braga, existe um custo silencioso entre o momento em que uma verdade é percebida e o instante em que surge coragem suficiente para agir.

Esse custo é o que ele chama de preço da indecisão.

Esperar parece seguro, mas também envolve riscos

Uma das principais razões pelas quais decisões são adiadas está na sensação de segurança proporcionada pela espera.

Agir provoca mudanças.

Esperar, aparentemente, preserva o cenário atual.

Por isso, é comum imaginar que adiar uma escolha mantém todas as opções disponíveis.

Na prática, porém, a realidade continua mudando.

Pessoas mudam.

Mercados se transformam.

Relacionamentos seguem novos caminhos.

Oportunidades desaparecem.

Problemas pequenos podem aumentar.

O tempo continua avançando, independentemente de uma decisão ter sido tomada.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, esse é um dos aprendizados importantes para qualquer empreendedor.

Existe risco em agir.

Mas existe risco também em não fazer nada.

A ausência de decisão não congela os acontecimentos. Em determinadas situações, ela apenas transfere o poder de escolha para as circunstâncias.

Prudência e medo podem parecer a mesma coisa

Edson Braga também destaca a importância de diferenciar prudência de medo.

Esperar nem sempre é um erro.

Existem momentos em que a melhor decisão realmente é estudar melhor uma situação, ouvir mais pessoas, analisar números, negociar, observar mudanças no mercado ou simplesmente permitir que novas informações apareçam.

Reavaliar uma posição e mudar de opinião também podem ser demonstrações de maturidade.

O problema surge quando o medo passa a ser apresentado como prudência.

Isso acontece quando a insegurança recebe o nome de análise, o apego é chamado de perseverança ou a falta de coragem é justificada pela espera do “momento certo”.

Segundo Edson, pessoas podem permanecer durante meses ou anos protegendo decisões que, internamente, já foram tomadas.

Diante desse cenário, ele propõe uma pergunta incômoda, mas importante:

Ainda são necessárias novas informações ou estão sendo procurados apenas argumentos para adiar aquilo que já parece evidente?

A resposta pode ajudar a diferenciar uma análise legítima de uma paralisação provocada pelo medo.

A experiência não elimina a incerteza

Existe uma expectativa de que anos de experiência tornem grandes decisões mais fáceis.

Na prática, isso nem sempre acontece.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, escolhas verdadeiramente importantes costumam ser realizadas sem que todas as variáveis estejam disponíveis.

Se todas as respostas fossem conhecidas antecipadamente, não existiria decisão.

Existiria apenas cálculo.

Decidir significa atravessar o espaço entre aquilo que já é conhecido e aquilo que ainda não pode ser previsto.

É possível analisar cenários, consultar especialistas, projetar resultados, realizar cálculos e ouvir diferentes opiniões.

Mas chega um momento em que os dados terminam.

A partir daí, alguém precisa escolher.

Avançar ou recuar.

Aceitar ou recusar.

Manter ou mudar.

Comprar ou vender.

Continuar ou encerrar.

Para Edson Braga, é justamente nesse pequeno espaço entre informação e ação que aparece uma das dimensões mais importantes da liderança.

Toda decisão exige alguma renúncia

Outro equívoco frequente é imaginar que a melhor decisão é aquela que não produz perdas.

Segundo Edson, isso raramente acontece.

Toda escolha relevante possui algum tipo de custo.

Se uma empresa cresce, assume novos riscos e responsabilidades.

Se decide não crescer, pode deixar oportunidades passarem.

Uma contratação aumenta a estrutura de custos, mas não contratar pode limitar a operação.

Vender um ativo pode significar abrir mão de uma valorização futura.

Não vender pode resultar na perda de uma oportunidade que talvez não se repita.

Dizer “sim” para determinado caminho significa abandonar outros.

Dizer “não” pode representar a recusa de uma grande oportunidade.

Por isso, decidir também significa renunciar.

Essa característica explica por que algumas decisões continuam sendo dolorosas mesmo quando estão corretas.

A dor não necessariamente indica uma escolha equivocada.

Em determinadas situações, representa apenas o reconhecimento de que algo precisou ficar para trás.

O ego também influencia decisões empresariais

Além dos dados, estratégias e projeções, existe outro elemento presente em muitas escolhas corporativas: o ego.

Ele não aparece nos relatórios ou nas atas de reunião, mas pode influenciar profundamente a maneira como empresários e executivos interpretam determinadas situações.

O ego pode impedir que uma estratégia seja abandonada simplesmente porque foi criada pela própria liderança.

Pode fazer uma organização continuar investindo em um projeto porque reconhecer o erro parece mais doloroso do que aceitar novas perdas.

Também pode transformar uma negociação em disputa pessoal.

Para Edson Braga, existe uma diferença significativa entre defender uma convicção e defender a própria imagem.

Uma das formas mais caras de vaidade empresarial pode ser continuar avançando em uma direção equivocada apenas para evitar uma frase simples: “Eu estava errado”.

Ao reconhecer um erro, existe a possibilidade de transformá-lo em aprendizado.

Quando o erro é protegido pelo ego, ele pode se tornar um problema permanente.

Algumas decisões produzem alívio antes dos resultados

Nem toda decisão apresenta resultados imediatos.

Algumas mudanças levam meses ou anos para demonstrar seus efeitos.

Mesmo assim, Edson José Bandeira Braga Filho observa que determinadas escolhas produzem uma transformação instantânea: encerram a paralisia.

A conversa finalmente acontece.

O projeto é encerrado.

Uma proposta é recusada.

A empresa começa a mudar.

Uma nova direção é escolhida.

O problema pode continuar existindo, mas a energia antes presa na indecisão volta a circular.

Para Edson Braga, decisão pode ser sinônimo de movimento.

Isso não significa que toda escolha será correta ou que decidir elimina o medo.

Também não significa que alguém passa a controlar o futuro.

A importância está na possibilidade de corrigir.

Uma decisão pode ser revista.

Uma rota pode ser alterada.

Um projeto pode ser reconstruído.

Um erro pode produzir aprendizado.

Mais difícil é corrigir uma trajetória que permanece constantemente adiada.

O tempo também toma decisões

Quando uma escolha é adiada, existe a impressão de que ela permanecerá disponível no futuro.

Nem sempre isso acontece.

O tempo fecha possibilidades silenciosamente.

Pessoas podem seguir novos caminhos.

Mercados mudam.

Filhos crescem.

Pais envelhecem.

A saúde pode se transformar.

Uma oportunidade que parecia disponível deixa de existir.

Também mudamos ao longo do processo.

Por isso, algumas decisões possuem prazo de validade, ainda que nenhuma data esteja formalmente registrada.

Para Edson, essa percepção vale para empresas, mas também para a vida pessoal.

Existem conversas importantes que são adiadas.

Projetos permanecem guardados enquanto seus responsáveis esperam por condições ideais.

Pedidos de desculpas deixam de ser feitos.

Mudanças necessárias permanecem apenas como planos para “um dia”.

Nesse contexto, Edson Braga sugere uma pergunta direta:

“Se não agora, o que exatamente estou esperando?”

Em algumas situações, haverá uma resposta concreta.

Quando ela existe, esperar pode ser a escolha correta.

Quando não existe, talvez o adiamento seja apenas uma tentativa de oferecer mais tempo ao medo.

O custo da indecisão não aparece no balanço

Empreender envolve inevitavelmente decisões erradas.

Nenhum empresário atravessa uma carreira inteira acertando todas as escolhas.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, o mais importante é desenvolver humildade para reconhecer erros rapidamente, coragem para corrigi-los e inteligência para aprender com cada experiência.

Ainda assim, existe algo que pode ser tão preocupante quanto errar: passar tempo demais sabendo o que precisa ser feito sem transformar essa percepção em ação.

Dinheiro perdido pode ser recuperado.

Uma empresa pode ser reconstruída.

Estratégias podem ser corrigidas.

Projetos podem recomeçar.

Existe, porém, um recurso que nenhum negócio, banco ou patrimônio consegue recuperar: o tempo.

Por isso, diante de uma decisão constantemente adiada, talvez não seja suficiente perguntar apenas:

“E se eu decidir errado?”

Na visão de Edson Braga, outra pergunta precisa ocupar o mesmo espaço:

“Quanto está me custando ainda não ter decidido?”

Algumas escolhas possuem um preço visível.

A indecisão também possui.

A diferença é que sua conta muitas vezes chega silenciosamente, quando oportunidades, relacionamentos e tempo já não podem ser recuperados.

By Porto Velho ja

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