Raimundo Reis, aos 62 anos, tem uma trajetória familiar repleta de desafios e recomeços, fortemente influenciada por seis mulheres que, segundo ele, mudaram sua vida. Neste Dia dos Pais, celebrado no domingo (9), a história desse morador de Boa Vista destaca sua experiência como pai, que abrange não apenas a criação de suas filhas, mas também a chegada de uma filha afetiva e os obstáculos enfrentados como pai solteiro, incluindo o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em uma das crianças.
Originário do interior do Maranhão, Raimundo se mudou para Roraima na década de 1990. Com formação em Zootecnia e atuando como agente de trânsito, ele foi o primeiro membro da família a obter um diploma universitário. Essa valorização da educação se tornou um princípio que ele se esforçou para transmitir às suas filhas.
Sua família conta com Jeovana Reis, de 24 anos; Jaqueline Reis, de 36 anos, filha afetiva; Kamila Reis, de 31; Nayany Karol Souza, de 34; e Alice Souza, de 9 anos, diagnosticada com TEA. Além delas, Raimundo também criou Maria Clara Reis, de 18 anos, neta de Jaqueline.
Relação como pai afetivo
O vínculo com Jaqueline teve início quando ela tinha apenas dois anos. Apesar de não ser sua filha biológica, Raimundo assegura que sempre tratou Jaqueline com a mesma consideração que as outras meninas.
“Sempre tratei todos como iguais. Não fiz distinção entre as filhas biológicas e as afetivas”, disse.
Após a separação do primeiro casamento, a paternidade assumiu novos contornos para Raimundo. Ele passou a cuidar sozinho das filhas e considera esse período um dos maiores desafios da sua vida.
Naquela época, várias das meninas ainda eram jovens. Ele relata que permitiu que elas decidissem com quem gostariam de morar após a separação. Com o passar do tempo, algumas optaram por voltar a viver com ele.
Esse processo trouxe um sentimento de solidão que acabou sendo superado pela nova dinâmica familiar. Para Raimundo, essa convivência transformou o significado da relação entre pai e filhas.
“A solidão me acompanhou após a separação. Contudo, quando elas vieram para ficar comigo, isso mudou completamente”, contou.
Para ele, ser pai vai além da presença física; é também proporcionar segurança às filhas para que saibam que sempre poderão retornar para casa quando necessário.
“Minhas portas estarão sempre abertas para elas em qualquer situação”, afirmou.
Educação como legado
A vivência de sair do interior do Maranhão e buscar educação influenciou diretamente a forma como Raimundo educou suas filhas. Ele destaca que teve que equilibrar trabalho e estudos enquanto criava as crianças.
Durante seus dias livres como agente de trânsito, dedicava parte do tempo aos estudos para concursos públicos. Ele descreve essa rotina como marcada por disciplina e muito esforço.
“Não sou uma pessoa acima da média em inteligência; sou alguém que se esforça muito pelo que deseja”, declarou.
Essa exigência foi igualmente aplicada às filhas. Raimundo acredita firmemente que a educação é essencial para ampliar as oportunidades na vida delas.
“Para mim, o aspecto mais importante da paternidade é garantir uma boa educação”, ressaltou.
Esse incentivo se reflete nas conquistas das próprias filhas. Jaqueline se destaca por ter sido a primeira irmã a concluir o ensino superior e atribui essa realização ao apoio recebido em casa.
Ela menciona que Raimundo sempre enfatizou a importância dos estudos como um caminho para alcançar independência e realizar sonhos pessoais.
Criar mulheres para a própria vida
Um dos valores que Raimundo fez questão de transmitir foi o da independência. Ao criar seis mulheres fortes, ele procurou prepará-las para traçar suas próprias jornadas sem depender dos outros.
“Desejo que elas sejam exemplos de mulheres autônomas no mundo e não apenas esposas”, afirmou.
Ele acredita que uma formação profissional sólida é crucial diante das incertezas da vida adulta.
“Quero que elas sejam independentes e vivam sem depender de um parceiro”, disse.
As filhas destacam que seu relacionamento familiar é caracterizado pela proximidade e amizade. Elas acreditam que essa conexão forte é resultado direto da maneira como foram educadas por Raimundo.
A chegada de Alice
Com a chegada de Alice há nove anos, uma nova fase começou na vida familiar de Raimundo. Quando ela nasceu, ele admite não ter experiência prévia com autismo; o diagnóstico foi confirmado quando Alice tinha aproximadamente seis anos.
Apesar desse desafio adicional na paternidade, essa condição trouxe outra dimensão à experiência dele como pai. Para Raimundo, cada fase da história familiar traz responsabilidades distintas relacionadas ao apoio às filhas enquanto elas buscam construir suas vidas individuais.
Assim, entre sua filha afetiva, sua neta criada como filha e sua filha diagnosticada com TEA junto às demais meninas da família, Raimundo construiu laços que transcendem o simples parentesco neste Dia dos Pais.
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